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terça-feira, 28 de junho de 2011

Sorry... sorry...

Uauf! - a primeira coisa que nos ensinam, lá, na Grande Ilha, é a ter maneiras. E sim, podem pensar à vontade que isto da fleuma britânica é uma mania - que, quem já viu tanto mundo como eu, em cima destas quatro patas, não se belisca com essas ironias.

Anos e anos de chazinho desde o berço - o vosso, por sinal, ou o que era vosso, vindo de Moçambique, que sempre foi o meu preferido - inculcaram-nos nos genes memórias celulares de educação e savoir-être.

Assim - e honni soit qui mal y pense -  embora sem ter sido chamado a meter pata ou focinho no assunto, este súbdito de Sua Majestade vem pedir-vos humildemente desculpas por ter contribuído, de forma tão brutal, para cavar um pouco mais do infindável poço lusitano das contas públicas.

Só de pensar que tenho em cima do pêlo o ónus de 380 mil euros, my friends, põe-me nervoso.

Muito nervoso.

Tenho de ir a correr ali à frente, ao jarrão da Dona Margarida aliviar a bexiga.

Porque é preciso ir buscar algum alívio para certas dores -  isn´t it?

AAUUUUUUUUUUUU!... God Save the Queen and keep us fed and clean!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Glamour de Beja

Esgueirei-me de novo pelo portão e fui ter com a Fifi à Praça da República. Estava sentida comigo, por não dar um cheiro de mim há dois dias, e levei com um ralhete de latidos que me fez amochar as orelhas (também é para isso que elas servem). Aquilo passou-lhe depressa - oxalá os bípedes  humanos pudessem aprender connosco - e, como hoje não chove (enfim!) e o sol lá se dignou aparecer, ela quis mostrar-me this little town - e, sobretudo, um novo sítio onde podíamos ir apreciar a fauna nativa numa das suas actividades favoritas: comprar, comprar, comprar.

Fomos a trote, de caudas bem levantadas e juntinhos, sempre descendo, em direcção ao sul, num festote de mijadelas em postes metálicos - vocês têm cá muito disso! - em pneus - uauf! fugi a tempo de uma bota de um taxista, grrrr!... não sei porque é que não dão valor à honraria da escolha que faço - e em esquinas; eu, claro, que ela comportou-se como fêmea recatada, esperando por um bom nicho de relva para se agachar.

E lá chegámos ao sítio do Glamour Contagiante bejense, que, embora não tendo estrelas de cinema nem encantos de restritas wine nights, não deixa de merecer uma visita.  Ficámos cá fora - sabemos bem que cão não entra (e muito menos em loja de chinês! Da China chegam-nos péssimos hábitos alimentares!) . E assim ficámos, sentados a mirar para os abat-jours coloridos da montra e toda a parafernália de objectos a perder de vista, aos quais os nativos bejenses se esforçavam, em rodopio de constantes entradas, em encontrar alguma utilidade.

O ritual consiste, basicamente, em  passear por entre corredores cheios de prateleiras, tentar perceber para que serve este ou aquele objecto, puxar do telemóvel e gritar à prima ou à vizinha  - com aquele tom cujo treino ancestral de chamada dos borregos na planície inculcou um vozear  geracional de garganta aberta, em que a todo o momento se espera que as tripas saltem cá para fora - onde se está e se ela não precisará disto ou daquilo, experimentar levar dois ou três ou trinta objectos, esperar numa fila o tempo que for necessário, suspirando pacientemente, até chegar a sua vez,  pagar e sair de saco de plástico na mão.

E assim, eu e a Fifi vimos uma amostra variada de humanos, que de outra maneira, não teríamos oportunidade de ver tão concentrada: exemplares seniores (muitos)  adultos e juvenis, gordos e magros, enérgicos e passivos, de forte e de fraca compleição - uma oportunidade única, garanto-vos, se bem que muito longe do glamour e da diversidade étnica que observava na nossa Harrod´s.*

As pessoas, de um modo geral - e os nativos de Beja não fogem à regra - não sabem o que hão-de fazer ao tempo que têm, e insistem sempre em comprar ou vender qualquer coisa. Parece ser um desregulamento genético da raça humana.

Ainda não perceberam que as melhores coisas desta vida não se trocam por dinheiro: uma boa sesta ao sol, o cheiro húmido da erva do campo, umas coçadelas nos costados - e, claro, respirar o mesmo ar na companhia de quem se gosta. Olhei para a Fifi. Estava na hora de a levar a casa. E de verificar se o meu inconstante pajem me cozinhara os fígados de galinha.

A passeata por Beja aguçou-me o apetite. Não descortinei qualquer glamour, mas contagiei-me na mesma.

I like it!

God Save the Queen and keep us fed and clean!



 *Aliás, uauf!, aconselho-vos a darem lá um salto, num destes voos domingueiros Beja/ Heathrow, partindo, por exemplo, no dia 18 de Setembro e regressando a 25 - uma semana não é nada para se fazer compras em Londres!  O custo da viagem Beja/Londres/Beja é de 230,00€, mas, se quiserem ter a maçada de passarem pela vossa capital, podem seguir e voltar por 86,42€.  

Eu sei que a opção é difícil - entre o  vão orgulho de levantar voo em terras alentejanas, e a perspectiva de poder gastar a diferença em mais alguns objectos que hão-de atafulhar a vossa casa... mas... vivemos num pais livre, uauf!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

hello!

It´s an injustice, it is, que não me tenham destacado dos quatro turistas que compraram voos Heathrow/Beja - pois todos sabem que sou o único que decidi não voltar. Era o que faltava: chega de nevoeiro (péssimo para o pêlo) de smog (horrível para o olfacto), de rações secas (uma seca!), de café Stardust (bughh!...) e, sorry, My Lovely Queen, mas quem não chega aos luxos reais tem de fazer pela vida.

Fiquei logo rendido assim que saltei do porão: ar seco e quente, nada de fumos - não falo dos cubanos tão apreciados aqui pelo pessoal de terra -  cheiro a terra argilosa - uma delícia para um nariz delicado.

Ignoraram-me quando seguiram em correria para Évora - e eu, que até tinha interesse em ver uma casota que eles lá têm com ossos (a única nota digna de interesse que uma rafeira alentejana um dia me confiara sobre essa cidade, durante uma soberba mijadela nas belíssimas pedras da Abadia de Westminster) enrosquei-me com o pessoal de terra, e, como em Roma sê romano, tomei a pose de todos os que têm mesmo de ficar no aeroporto: ou seja, com o nariz no ar a ver passar, de dia e de noite, os mais variados objectos voadores - abetardas (muitas), cegonhas (quantas bastem), gaviões (dois), corujas (três), mosquitos (vários enxames, o que me faz pensar na urgência de arranjar uma coleira repelente).

Depois de três dias enfiado no aeroporto -  à espera de nem eu nem ninguém sabia o quê - e com os sonos difíceis por causa da quantidade de luzes brancas, vermelhas e azuis que não param de tremelicar, de dia ou de noite, dei por findo o meu período de adaptação e de quarentena junto dos nativos, e meti-me à vadiagem - coisa que já reparei ser muito prezada por estas terras - não sem antes ter marcado, em sinal óbvio do meu agrado, com uma pujante mijadela, o solo aeronáutico que nestas terras lusas me acolheu.

I like it!